|
Com alta de 200% nas vendas em 2009, marca polonesa pertencente ao grupo de luxo LVMH traça estratégia para o país.
Na quarta-feira, o francês Mathieu Duchemin, diretor de desenvolvimento de negócios da vodca super premium Belvedere, freqüentou a noite paulistana para conhecer os donos e treinar os garçons das baladas de luxo Pink Elephant e Mokai.
Aproveitou ainda para observar a vista - e os pedidos - do restaurante do tradicional Terraço Itália. O que fez Duchemin deixar sua base em Londres e voar para o Brasil não foi exatamente a caipirinha - embora ela possa ajudá-lo a vender mais vodca -, mas o crescimento de 200% que seu produto registrou no ano passado.
A possibilidade de transformar a vodca polonesa Belvedere, pertencente ao grupo francês LVMH, em hit entre as classes A e B brasileira fez Duchemin traçar uma estratégia ousada para sua operação no país, hoje um dos dez mais promissores para a Belvedere.
Nos próximos três anos, ele pretende reverter toda a sua margem de lucro em ações de disseminação da marca e no fortalecimento da distribuição do produto, que hoje é encontrado em bares, clubes e restaurantes de luxo de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Florianópolis. São, ao todo, mil clientes - 600 deles restaurantes.
Seu objetivo é transformar, até o final do ano, a Belvedere na vodca super premium líder do Brasil. Para tanto, Duchemin pretende triplicar os investimentos no Brasil. Suas promessas costumam se concretizar.
Entre 1995 e 2000, como gerente regional de vendas da Veuve Clicquot nos Estados Unidos, Duchemin fez a marca subir da quinta posição, em 1995, para a segunda colocada, em 2000. Agora, ele quer fazer com que a Belvedere seja conhecida como a "Dom Pérignon das vodcas".
Sua estratégia não é massificar as vendas, mas torná-la conhecida e predileta entre os brasileiros mais abastados. Nos empórios e supermercados de luxo que revendem o produto, a garrafa de 750 ml de Belvedere sai por volta de R$ 150. Na noite, não sai por menos de R$ 230.
O preço, explica ele, vem do produto chamado no mercado de super premium. "Nossa vodca não leva açúcar nem glicerina, uma exigência da lei polonesa que torna a bebida mais leve e suave que as concorrentes."
O Brasil é o único mercado estratégico para a vodca na América Latina. Embora o produto seja comercializado na Argentina, o país não é prioritário para a marca.
Para ser o número um, ele terá que desbancar a Grey Goose, do grupo Bacardi Martini, a líder, e também a francesa Cîroc, da Diageo, que diz brigar com a Grey Goose pela liderança, enquanto a Belvedere afirma ser a segunda.
Duchemin acredita que conseguirá alcançar a liderança a partir do combinado de armas que conseguiu reunir - um produto de qualidade, um time de 50 pessoas trabalhando na marca no Brasil, investimentos três vezes maiores neste ano em relação a 2009 e alguns lançamentos previstos.
Em maio, chega ao país a Belvedere Black Raspberry, produzida apenas com framboesas frescas colhidas a mão na região de Podlasie, no norte da Polônia.
"Nosso principal diferencial é a qualidade do produto. A pátria da vodca é a Polônia. Tomar vodca francesa é como beber uma cachaça chinesa. Não dá para comparar", alfineta.
(Fonte: Brasil Econômico - 08/02/2010)
|